Papo furado, Poeminhas

eu


chegou o dia, enfim,
em que o terror não mais me encheria os olhos
e o sangue nada mais seria que um liquido com cheiro acre
que cinquenta por cento mais um de mim seria bucolismo
e que eu olharia para trás e me colocaria um monte de defeitos
gritantes.

adeus, nem mesmo essa palavra me inspira nada,
nem mesmo aquelas outras como amor, solidão e vingança,
está tão difícil pra mim odiar quanto sempre foi amar.

mas pra se amar tem que se passar pelo gostar
e esse caminho eu cortei

então é isso, afinal.
o álcool e os cigarros, seja de que espécie sejam,
não significam mais nada. a música é só um amontoado
de ruídos. estou me afundando num cretinismo southparkiano.

chegou o dia em que escrever 'sussuros' num poema não significa
nada mais que um vocábulo. encabular-se não é mais via de regra
diante dos fatos. mentir compulsivamente não é mais automático.

chegou o dia
peço perdão a deus e a quem ofendi com minhas atitudes.
começa a embaçar-me a vista e enrolar-me a lingua.
não posso mais declamar o que não tenho.

minha mente se fechou para a beleza
meu cérebro não mais é surpreendido.

tudo se tornou clichê e um pouco triste.

não uma tristeza doída, obviamente.

enfim, amigo, observei-lhe a face.
estava aí o tempo todo, rindo amarelo,
não é amor nem sentimento, mas vamos dar as mãos.
quem sabe assim você, tédio, possa me mostrar um mundo novo.
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