Contos

Tapa-olho


Saí da taverna com os pés escorregando no vinho. Dez marujos vinham de punhal em mãos, aos meus calcanhares. Transformei-me em nuvem depois em gato então eles estremeceram diante do meu sorriso. Não podia fazer nada contra eles, bem visto, porém este tipo de coisa sempre mantinha distantes os perseguidores.

Minha mãe era uma bruxa e meu pai, dizia ela, belzebu. Não tenho cara de hebreu, mas mamãe era negra, azul e cinza, nas partes corretas. Lembro de suas íris e seu olhar de gata cega enquanto me amamentava.

Mas isso é de um tempo triste e distante, em outras terras. Agora, sangro. Lá, entre os dez, tem um com meu olho esquerdo espetado na lâmina sangrenta. Dor não sinto, não é isso. É ser ferido. Eu. Logo eu.

Não tenho Holandês Voador nem Triângulo das Bermudas, mas a cor da minha barba é conhecida em todos os mares.

Caminho ainda etéreo para minha nau, uso a órbita vazia como bainha pra minha adaga de rubis. No convés acendo meu cachimbo e plano com o espírito de todas as gaivotas mortas seguindo o cheiro das cascas de ovos rompidas pelos atobás.

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