Papo furado, Poeminhas

Recado da coceira pro comichão


Rola a maior inversão de valores desses beats nacionais
ouvindo blues e queimando erva
achando dos anos 30 até 1989 o supra sumo do século XX
aliás até mais tarde
até a morte do bukowski, digamos.
esses beats nacionais querem odiar demais
beber uísque demais
e ser boçais demais
esses beats nacionais querem morar em são paulo
eles têm são paulo dentro do coração
nada contra são paulo diga-se de passagem
esses beats nacionais infestam tudo onde observo
que eu leio, até o que escrevo
argh!
há uma parede cheia de beats nacionais no meu quarto
e meu inseticida só funciona porcamente com as baratas
cadê meu pau, skylab!
eu quero uma metralhadora, estilo maio de 68
AQUI E AGORA
vamos tomar cachaça nos cabarés
recife é san martin e ibura de baixo
marco zero é o meu ovo
morte ao CAC e afins da UFAM à UFRGS
morte aos playbas cheirando a sarjeta errada
e morte estrebuchante ao rolo contínuo do kerouac
esses beats nacionais têm de aprender a amar de novo
amar com o seio e os testículos
os beats nacionais estão achando que sertão é los angeles
que deserto é semi-árido
que rap é funk carioca
que vinil é mp3
morte aos remanescentes beats do cenário nacional
uma placa colorida com o símbolo da paz pintado com sangue e merda
cada um no seu espaço: nos cemitérios
newton carneiro deu a solução para quando a metralhadora chegar
mais e mais cemitérios construídos de recife a jaboatão
derrubando-se favelas inteiras para que ocupem seu lugar
os beats nacionais estão presos numa cueca fedorenta do ginsberg
vamos queimá-los com um reggae dos karetas
o último poeta brasileiro é o Mao
que diz ainda que o mundo não para de girar
e vomitar no trem é a solução
choque elétrico na uretra dos beats nacionais
morte bíblica com coçadinha de caco de telha nas chagas deles
vamos jogá-los pela janela do metrô
ou esmagá-los numa máquina de charles chaplin
moenda de cana com barbeiro na hora do lanche dos beats nacionais
o coração inchado de incertezas e wannabes L.A. The Doors e Harrison
com o cu do demônio mais vermelho do inferno!
Waldick Soriano, ó mestre
mostre a essas estrelas das cafeterias
o que é sofrer de verdade
ser pobre e analfabeto
ter tudo e perder tudo
dançar colado na mulher mais linda do puteiro
e sofrer nos decotes da Mãe-Pátria
preciso ver tv
preciso ver o ratinho
onde está o alborghetti?
pílulas de sabedoria de joslei cardinot
o charme pedófilo de denny oliveira
a rádio recife e as traduções simultâneas
vocês beats nacionais sabem o que é isso
então olhem pro próprio umbigo
ou pro dente cinzento do primeiro mendigo que virem
e vão sonhar de novo, pra dentro, porra!
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4 comentários sobre “Recado da coceira pro comichão

  1. O mais adejárdico no teu texto são os seguintes fatos:ser influenciado não é ser plagiador safado e pra fazer algo que preste não precisa esperar que os frescos do eixo rio-são paulo imitem e divulguem o que chuparam dos europeus/americanos!!!!

    • fillipezato disse:

      Você é foda, Wojadejatila, kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

      É isso aí mesmo! INOVAR, porra! O pessoal come a mesma grama sempre, tá na hora dos burros procurarem outro capim, fabricar outro capim, quem sabe.

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