Papo furado, Poeminhas

Um dia poderei ser Jodorowsky


Segui o conselho de Gaspar Noé:
entrei no vazio
e não me deparei com cores
ou com o terror,
prazer, sexo, a morte em si.

Tudo isso estava por dentro
de mim, me revirando as tripas
sem o menor tato.

Meu deus, o meu de mais ninguém,
faça-me vomitar.

Ayhuasca e transcendência.

Vou contar uma história, novamente:

enquanto vocês sambam, amigos,
das duas uma, ou eu bocejo
cheio de amor no peito ou
acompanho a música e sempre
me empolgo um pouco mais que todo mundo.

Fico pensando, Gaspar Noé,
se eu me drogasse mais e mais e mais.
Quando a gente é assim, ateu, vazio por dentro
e não liga, acaba sempre procurando um inferno
ou paraíso, o mais fácil que tiver à mão.

Mas essa é uma noite especial
domingo, há mais ou menos três horas.
Deixemos de espiritualidade e vamos
dançar valsa com gosto de macarronada,
a ver navios.

O resto passa com a fumaça
dos transatlânticos.
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