Papo furado, Poeminhas

desatino


Antes tristeza
pintava tudo isso aqui
agora nem sei por onde
é parede

nem se começo triste de novo
pois triste é o que sei.

O que sou
príapo do jardim do éden
sonhador de tons de voz
dorminhoco de meio-dia
batedor de procissão
blá blá blá blá blá blues

nem por isso
mas por isso mesmo

con
tra

dição

inteiramente
um mendigo
mendigo e grã-fino

sou arquiteto do impuro

precaução e desatino.

Se você não entendeu
parabéns
você caiu
se você compreendeu
não sei que aconteceu:

É tudo a mania de ser aceito. De ver o que você deseja ir embora. Aquela certeza de que seu talento provavelmente não é tudo isso que você pensava. E que você nem é tão maluco quanto parece. Os outros é que são normais demais.

E tudo isso aquela curiosidade de se ver dormindo. Saber que seu silêncio não vale mais que o de ninguém. E que sua voz é só uma portadora de utopias. Que você se arrepende cada vez mais de ter cada dia menos remorsos. E que o tempo é sempre remédio e culpado.

Por isso você segue. Segue sem certeza. Sua cabeça um mundo. Que gira. E não para. Você que nunca tem certeza de nada.

Prometi para mim mesmo não cortar nada. Nenhuma letra, nem parágrafo. Isso aqui é o que sinto agora. Caindo feito cachoeira da cabeça.

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