Contos

Pornô Underground


Amor. Porque há de se começar sempre com uma palavra bonita, a vida. Viver. Mesmo. Nunca. Nunca consegui. Bem assim. Sempre esse cãozinho atropelado pelo caminhão do tédio. Mas sempre trabalhei em busca do inverso. E como.

Era uma boate, e nos meus olhos era como se tudo fosse filme em 8 mm, e vocês não sabem que tipo de atrocidade já foi filmada em 8 mm, todas aquelas pessoas, aquela fumaça, as luzes, aquele cheiro de beijo, e tudo aquilo que é arrastado pelas vassouras, enquanto as bruxas dançam ao meu redor. Me inspirava.

De gole em gole, eu, me sentindo uma mistura de cachorro doméstico com anjo caído, juro que queria fugir, mas acho que não conseguia por não saber bem como. A questão era apenas esperar ou correr atrás.

Até que ele veio.

– Esperando alguém?, me perguntou.

– Não.

– Sozinho?

– Agora, não.

– Quer companhia?

Olhei para ele. Este servia.

– Não tenho mais escolha.

Era loiro, cabelos lisos, um rosto bonito, olhar ingênuo. Vestia uma roupa discreta, como eu.

– Vou te contar um segredo, ele disse.

– ?

– Vim aqui falar com você porque estou assim também.

– Assim como?

– Que nem você.

– Que nem eu, como? Meio bêbado?, sorri.

Riu comigo.

– Também… Mas não. Sabe a garganta apertada? A vontade maluca de sumir?

– E por que me conta isso?

– Quer sumir comigo?

Nos olhamos por uns 30 segundos.

Fomos.

Gostei dele, sim. Servia muito bem pra mim. É fim de semana: o passo rápido do acaso. Fomos pro banheiro nos beijando. A cabine apertada, o barulho de outros amigos na cabine ao lado. Fui direto em sua calça e abri o zíper. A cueca dele inchada abaixei bem logo, pra vir aquela coisa grossa e intumescida, aquela cabeça vermelha e úmida, com cheiro de tesão. Chupei até sentir ele latejar com força na minha boca. Depois bati devagar. Ele gozou no meu rosto, no nariz e nos lábios. Ainda de olho fechado, levantei e o esperei lamber a porra da minha cara. Ele meteu a mão na minha calça e apertou minha bunda. Depois correu com a mão pro meu pau, que já estava tão duro. Ele sabia apertar. Desceu devagar, beijando meu pescoço e foi até minha calça. Fechei o olho. Senti aquela língua suave subir e descer de uma forma quente e gostosa. Não demorou pra eu gozar. Abri os olhos e ele estava com a boca cheia da minha porra. Nos beijamos.

Voltamos.

Chamava-se Frederico, e pra ele eu fui Igor.

Ficamos no balcão um tempo. Duas doses de vodka, resolvemos sair. Andando, libertarmo-nos daquele lugar. Trocamos telefones. Marcamos de sair.

Minha esposa chegou um pouco depois de mim. Estava deitado na cama, completamente bêbado ainda, mas tinha tomado banho. Ela nem sequer se trocou. Entrou no quarto, jogou a bolsa dentro do guarda-roupa e deitou na cama. Ainda suada, o cabelão castanho molhado. Estava tão ou mais bêbada que eu.

– Cadê?, perguntei pra ela.

Demorou um tempo ainda, respirando no travesseiro. Sem dizer nada, levantou lentamente e foi até o guarda-roupa, procurou a bolsa. Tirou de lá o celular. Procurou um tempo a foto de uma mulher de meia-idade, loira, bonita de rosto.

– Então é essa?, perguntei.

– Deixa eu dormir…

Desaba na cama, exausta.

– É… É ela…

Dormimos.

Marcia era morena, mignon, seios pequenos, bunda redonda, pernas lindas. Lucia era uma loira de 40 anos linda. Confesso que vê-las naquele beijo me excitou muito. Mas eu tinha que me concentrar no Fred. Também não era mau, ele. Pelo contrário. Sabia ser carinhoso, e quando queria fazia como um verdadeiro homem. Adorava me submeter a ele. Mas ele era muito maleável. De certo modo, adorou a ideia de treparmos ao lado da Marcinha e da Lucia, que também se atracavam. Ele até masturbou a Marcinha enquanto eu fodia a Lucia pelo cu.

E como foi fácil para eles aceitarem que a gente filmasse tudo.

Acho tão bom poder encontrar gente liberal assim.

A câmera estava ligada quando começou a overdose de Lucia. Suas mãos atadas começaram a se contorcer e o sangue escorrer do nariz, enquanto eu observava a língua dela enrolar. Marcia começava a injetar heroína no pescoço de Fred.

Ele, claro, se desesperara ao ver aquela cena. Amarrado naquela maca inclinável, como fez primeiro comigo. A roupa de couro colada, com a bunda de fora, apoiado de frente na maca de madeira, com pernas, braços e pescoço atados, a cabeça saindo pelo outro lado, por uma abertura onde ela se encaixava. Depois, inclinou-se a maca para que ficasse de pé, para ele ver o rosto de Lucia, presa da mesma forma em outra maca idêntica, enquanto ela era punida por Marcia.

Claro que aceitaram. Primeiro, ele puniu a mim enquanto Marcinha era punida por Lucia. Eu pedindo para que ele batesse mais forte na minha bunda, ele obedecendo. Após a surra, o beijo grego. Lucia no mesmo procedimento na Marcinha. Nós dois nos olhando, ele me enrabando e a Lucia com a cinta erótica, com aquele caralho gigante de borracha, rasgando o cuzinho da Marcia.

A palavra de segurança era CACHORRINHO.

Agora era a nossa vez.

Fred estava desesperado enquanto assistia Lucia morrer. Ela puxar o ar, o sangue preto descer do nariz, e a espuma, primeiro branca depois amarela escorrer da boquinha daquela loira.

– Aqui, seu merdinha, agora é sua vez!

Mostrei pra ele a seringa. Ele urrou desesperado, mas não adiantava. Não naquela nossa casinha tão aconchegante na montanha, sem ninguém num raio de 30 km. Tão sossegado pra uma sessão de sexo sadomaso bem gostoso e selvagem.

Fred, aquele louro másculo e delicado, ao mesmo tempo, chorava como uma menina.

Marcinha agora segurava a câmera. Lucia já estava morta. Peguei o chicote e espanquei a bundinha daquele viadinho chorão.

– Por favor, Igor… Igor… CACHORRINHO! CACHORRINHO!

Não aguentamos, Marcinha e eu. Passamos uns bons 5 minutos rindo daquela cena patética. Márcia enrabou aquele chorãozinho com a cinta enorme. Enfiou tudinho de uma vez. 35 cm de borracha flexível.

Enquanto ele urrava eu o esbofeteava com o chicote. Coloquei a câmera no tripé. O cheiro de sangue, sexo e suor impregnando o lugar todo.

Marcia colocava e tirava o cacete do cu daquela menininha desesperada. Ele lutou, mas o pescoço estava preso. Injetei toda a heroína.

Marcia e eu paramos na frente do rosto dele, esperando. Nos beijamos. Tirei o cinto dela, e aquela roupa de borracha. Deitamos no chão, carinhos, o amor que eu falei antes. A palavra bonita pra se começar a vida. Fizemos amor de uma forma sincera e e gostosa, enquanto Fred nos vomitava e sangrava por cima. Esse momento é realmente ótimo, todas as vezes não vemos o homem morrer, o que é uma pena, mas não havia, nem há, nenhum problema nisso.

E quando só os sons dos nossos gemidos estavam presentes, eu tive que dizer pra minha Marcia:

– Eu te amo.

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6 comentários sobre “Pornô Underground

    • fillipezato disse:

      Quanto tempo, Miotto! Valeu o comment!

      A gente tem um amigo em comum: João Wojtyla. Estuda na mesma faculdade que eu.

      Passa por aqui mais vezes.

      Abraço!

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