Contos, Papo furado

Linda história, sr. Eduardo, linda…


Chamo-me Eduardo Gentio. E, já que me foi pedido, contarei uma bela história sobre mim. Uma história que aqueça algum coração. Pois sim, ei-la:

Uma vez me perguntaram que deuses eu serviria se, por acaso, num destino perverso, tivesse que ser obrigado ao sacerdócio – incutido pelo medo de um ônus muito pior que a morte torturante e prolongada, imagino.

Satanás, respondi sem pestanejar. Ora, eu, douto na arte da inveja, senhor da perfídia e da imoralidade, ao menos mentais (e umas não-poucas reais), não poderia pensar em outra divindade para jurar fidelidade.

Disse eu isso uma noite, na taverna do Porco Amado, que fica na esquina da rua S…, enquanto sorvia o chopp servido por Bartês, o velho francês de bigode negro e cego de um olho, que há anos nos serve os dourados préstimos da Germânia, conservados em grandes barris de madeira que enfeitam o outro lado do balcão, domínio pleno do taverneiro. Não lembro quem me questionou isso, afinal quando me empenho na orgia não me permito freios. Talvez tenha sido José Ramos, o açougueiro, ou Francisco de Assis, o caixeiro. Ou talvez o marquês Giles de Rais. Ou talvez Febrônio, ou o senhor Alberto Peixe. Não me importo.

Mencionei o sacro nome de Satã e me vi envolto em canecas empunhadas e urras vitoriosos: viva! viva! viva!

Aquiesci com um sorriso complacente aos meus companheiros; mas, como ateu – e acima de tudo, profano – não concordo com a exaltação a divindades, não importa quais sejam.

– Sei que me encontro entre profanadores, pérfidos e ímpios, disse Febrônio, e me considero assim também. Mas não posso negar que quando tenho um pescoço tenro entre meus punhos, sinto o sussurro de Ferrabrás incutir-me ao ato.

– Senhor Febrônio, respondi, os gênios, exus, espíritos, cupidos e outros brincantes que nos sussurram ao ouvido nos momentos máximos nada mais são que o fruto de nossa fantasia. Há na Europa uma vertente de pensadores que acredita que os desejos são frutos das sensações que temos ao curso da vida, e estes desejos se transmitem em pensamentos, vultos, alucinações, delírios. Tudo em prol dessa nossa busca eterna pelo prazer…

– Permita-me dizer o que penso, sr. Eduardo. Eu, marquês de Rais, tenho prazer em dilacerar a carne jovem de garotas e garotos que mo são trazidos por meu assistente. Os maculo de tal forma que após o gozo maravilhoso que sinto, não há como se distinguir o sexo dos despojos de minhas delícias. Acredito que a brutalidade é inerente a todos os animais. Vide as baleias – o sr. Peixe, criado entre barcos, pode dizer melhor que eu – que brincam com o cadáver das focas depois de matá-las. Vide os macacos, que batem com pedras na cabeça de seus irmãos símios pelo puro prazer de vê-los morrer. Vide o pássaro traiçoeiro que põe os ovos nos ninhos de outras aves e, após nascer e crescer às custas dos outros, os mata ou come, exibindo uma peçonha d’alma gigantesca. Mente o naturalista que transmite a ideia de que só o homem comete assassínio. O prazer, diria Sade, é o objetivo natural. E a morte de outrem, dos fracos, é a meta de todo ser vivente.

Outros vivas ao discurso do marquês de Rais. José Ramos pede outra rodada de chopp e nos oferece uma de suas famosas peças de carne, tão saborosas. Bartês entrega a carne a Jofre, o cozinheiro, para que a prepare e nos traga.

– Nobres senhores, digo, esta nossa rara reunião me recorda os sonhos de um poeta jovem, chamado Azevedo, que retratou o encontro de homens e suas brutalidades numa taverna como essa, tendo terminado toda a narrativa numa grande poça de sangue trágica. Suponho que o desfecho da nossa não seja este, porém acredito que todos aqui são ainda mais perversos que os homens retratados pelo poeta. Peço ao amigo Francisco que nos informe sobre as quatro belas prostitutas que nos prometeu a companhia para esta noite tão bela.

– Já vêm, disse Francisco, o mais taciturno de todos.

Tomei a palavra, mais uma vez:

– Enquanto isso, meus amigos, quero contar-lhes um sucesso ocorrido comigo dias atrás, uma meta que vinha buscando há meses e que, por honra apenas da minha perseverança, alcancei. Dou-lhes eu, como fazem nas seitas cristãs da América do Norte, um testemunho de fé.

Vós sabeis, amigos, que sempre que há vagas para minha criadagem, faço questão de eu mesmo escolher a pessoa que irá ocupá-la. Talvez encontre ali alguém perfeito para minhas inclinações. Sabeis também que não costumo realizar minhas fantasias com os criados, pelo menos não as mais profundas do meu espírito, para que não haja problemas em arrumar um novo. Mas o destino resolveu plantar-me à frente, um dia, uma moça chamada Antônia Assucena.

Prestimosa, tenra – um bulbo de mulher, aflorando em seus treze anos – os seios endurecidos se mostrando na sobreparte folgada, um quadril convidativo, delineado pela longa saia que vestia na primeira vez que a vi. Era loira, o cabelo crespo, os olhos verdes, o rosto marcado por sardas. Tinha as mãos rudes mais lindas que eu já tinha visto, um encanto.

– Treze anos! – disse Alberto Peixe – Treze… Como amo este número…

– Sim, caro amigo, treze anos. Eu podia sentir o cheiro da inocência que ela exalava. Provavelmente já tinha sido iniciada nos prazeres carnais por outro garoto, mas com certeza nunca tinha estado com um homem do meu porte, experiência e perversão. Tenho certeza.

Investi naquela jovem primeiramente de forma tímida. E ela retribuía, diabinha. Roçagava-lhe a cabeça com as unhas, enquanto ela limpava o chão da biblioteca junto à minha poltrona. A potra, tive que chamá-la assim, balançava a cauda gostosa agachada ao meu lado, enquanto eu fingia estudar qualquer coisa. Dava-lhe beliscões na bundinha, que eram respondidos com tapas carinhosos que me dava sorrindo, quase que automaticamente. Sempre era furtivo nas minhas carícias, e não tive problemas com suas respostas a elas.

Certo dia, enquanto ela limpava o chão da biblioteca, ferveu-me ao espírito o impulso do prazer. Caminhei calmamente até a porta e a tranquei. A jovenzinha olhou-me, espantada:

– Senhor, não posso ficar aqui sozinha com vosmecê. Não posso.

– Ah, minha cara bonequinha, não lhe farei nenhum mal. Apenas quero deixá-la livre para realizar sua tarefa com mais conforto. Vem aqui e senta no meu colo. Quero afagar-lhe os cabelos, sentir um pouco tua pele entre meus dedos…

– Nunca! Sou menina-moça, respondeu, com um sorriso irônico no canto dos lábios.

– Bem sei eu, querida, deixa-me cuidar de ti.

Aproximei-me dela e ela correu. Vi-me empenhando numa infantil brincadeira de correr com Antônia Assucena, mas qual amante que não tem a alma como a de uma criança inocente?

Cansamos, então consegui encostá-la na parede. Levantei-lhe a saia. Não usava nada por baixo. Briquei com o pau em seu grelo e na porta de sua boceta, esfregando a cabeça vigorosa do meu membro rígido.

– Aí não, senhor, ainda sou moça. Quero casar moça… Minha nossa, que pau enorme… Enfia no meu cu, senhor, quero ser moça até casar…

Não aguentei tal pedido e fodi o cu da potrinha até encher-lhe as entranhas de esperma.

Os dias se passaram e as limpezas na biblioteca eram cada dia mais frequentes. A potra me servia de todas as delícias possíveis, sem me presentear com sua linda boceta, que eu fazia questão de chupar até vê-la verter-se em gozos convulsos e me babar com sua porra feminina, tão doce…

Confesso-lhes, cavalheiros, que não resisti a esses encantos todos e me apaixonei pela pequena… Acabei por levá-la ao meu sítio, isolado de tudo, onde poderia realizar todos os meus desejos mais secretos. Tena, como eu a chamava, achava que me tinha nas mãos, e me pedia somas em dinheiro cada vez mais generosas. Atendi todos os seus caprichos em troca de seus gostosos favores. Até o dia em que a levei comigo para o meu sítio.

E qual não foi a surpresa dela. Chegamos e fodemos assim que estivemos a sós em minha alcova. Prometi a mim mesmo que aquela noite seria a noite das traições. E cometi a primeira em nossa primeira foda. Depois de bombear com afinco aquele belo cu, envolto pela bunda mais redonda que a natureza poderia criar, escorreguei o meu cacete para sua boceta e enterrei com força, molhada que estava a potrinha. Ela deu um grito agudo: AI, MONSTRO!

Fodi-lhe com força a boceta enquanto ela se lamuriava. “Não lamentes, potrinha, prometo que te desposo. Para mim, continuarás imaculada, afinal fui eu quem desabrochou tua rosa…”

– Monstro! Machucou-me com esse caralhão, ela disse, olhando para mim com um sorriso nos olhos.

Fodemos mais algumas vezes. Chupei-lhe a boceta e o cu, e ela fez o mesmo comigo. Então, tomado pelo desejo, resolvi cometer minha segunda traição.

Ela se apoiava na parede, de joelhos na cama, enquanto eu fodia aquela boceta deliciosa, por trás. Tive vontade de puxar-lhe o braço para mim, e assim o fiz. E o fiz com tanta força que acabei por quebrar-lhe o pulso. Ela soltou um berro horrendo. Caiu gritando, chamando-me filho da puta, satanás, bugre, e outros nomes. Ainda no furor de meu espírito, a soquei. Espanquei Tena com vontade.

– Deus fodido!, eu gritava, pensando nas célebres peças do marquês de Sade.

– Que linda história, senhor Eduardo, disse o marquês de Rais.

– Ainda não acabou, respondi.

Tena ficou deitada na cama, o nariz quebrado, os lençóis manchados com seu sangue. Eu estava totalmente hipnotizado pela situação. Então fui até o armário e busquei minha espada. A que ganhei por minhas condecorações no exército. Tena tentou correr, mas eu tinha trancado tudo, as janelas eram pesadas, de madeira, e ela nada podia fazer. Mais uma vez, brincamos de correr. O espírito infantil dos amantes.

Ela fugiu de muitos dos meus golpes, mas um que lhe desferi nas costas a fez vacilar. Espalhava sangue por todo o meu aposento. O chão, a cama, as paredes, tudo estava manchado, com fileiras de gotas e poças pequenas, rastros de nossa perseguição. Desferi-lhe tantos golpes superficiais que ela já era um espectro vermelho, banhado no próprio sangue. O seu erro foi querer lutar comigo, e esta foi minha terceira traição. Quando a doce moribunda, em seu último delírio de dor, veio me atacar, como um rato encurralado, transpassei de uma vez o seu ventre. O belo ventre com o qual me deleitei tantas vezes, totalmente perfurado pela minha espada.

Estávamos banhados em sangue. Puxei a lâmina de volta e algumas tripas da formosa Tena pularam para fora. Ela desfaleceu e eu a apoiei nos meus braços. Encostei o corpo dela na parede e a fodi mais uma vez. Ela mal podia se apoiar sobre as pernas, desfaleceu de dor. Umedeci aquela boceta com o sangue dela e meti até gozar, maravilhosamente.

Deitamos no chão e depois de contemplá-la por um tempo, cortei-a em muitos pedaços, os quais entreguei à Maria Helena, minha negra de confiança, que já esperava o resultado de minha aventura, como sempre. Demorei 8 dias para comer Tena inteira, e acho que alguns de vocês chegaram a comer alguns pedaços dela quando estiveram em minha casa há 15 dias.

– Sim, lembro-me, disse Febrônio, realmente aquela carne que nos serviu estava uma delícia. Desconfiava que era humana, mas não disse. Desgraçado, disse que era porco, ah, ah.

– Sim, respondi, queria ver a vossa reação quando soubessem.

Jofre trouxera de lá dentro os bifes, e Bartês os colocou no balcão. A carne tinha um cheiro estupendo.

– Pelo visto esta carne será do nosso gosto, não é, José Ramos?

– Creio que sim, compadres. Pela história que o sr. Eduardo acaba de nos contar, é bem ao nosso gosto.

Lucas, o caften, adentrou a taverna com quatro jovens. Elas se juntaram ao nosso grupo, rindo jovialmente. Fizemos questão de servir-lhes um pouco da carne de José Ramos e de cerveja. Bartês foi à entrada da taverna e trancou a porta. Trancou também as janelas. Estávamos só nós, os libertinos, as prostitutas, o caften, Bartês e o cozinheiro. E foi assim até o amanhecer, numa noite muito bonita, que passamos bêbados e refestelados nos nossos mais escusos prazeres…

 

 

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