Contos

Ponderações fúteis de um jovem fútil etc etc etc


O argumento do vegan é o argumento do cadáver. Aquilo do leitão com a maçã na boca comparado a um bebê idem. Um porre de tão chocante. Sinceramente, não consigo entender como um ser humano se dana a ser vegan. Não consigo. Puta bosta isso. Imagino a ceninha, no churrasco, não, não gosto de picanha, tem alface? gosto de carne de soja. tem soja? só vou tomar refrigerante, ok? brócolis, eu quero brócolis!

Puff.

E ali está Josefino, na minha frente. Cabelos crespos, longos até o pescoço. Olhos feios, pretos, pequenos, comuns. Um bigode ralo, barbicha encrespada no queixo. Camisa social, como a minha. Novato no meu setor na empresa, querendo ser meu camarada.

Enquanto traço um bife bem passado observo meu colega Josefino dizer, sou vegan. Almoçamos num self-service perto do serviço, as garçonetes são duas senhoras gordas. Uma tem buço. Loiro. Outra é gorda, mas bem feita. Quer dizer, bem feita assim, a gente come, né? Todas com um pano laranja na cabeça, um avental laranja, uma camiseta laranja por baixo e calça de lycra preta. A gorda, morena, bem feita, tem um rabo de excelente qualidade. Ponto.

– Vegan?, pergunto a Josefino, Que merda é essa? Vegetariano?

– Militante. Vegetariano militante.

– Vegetariano militante?

– Uhum.

– Militante? Vegetariano militante?

– Exatamente.

– E como milita?

– Bem, não é uma questão de militar no sentindo… de protesto, tá sabendo? Militar no sentido de informar as pessoas de que comer carne é um mal.

– Hum…

– É terrível, cara, terrível.

(detalhe: um homem que não come carne deve ter um problema sério nos testículos, se é que me entendem. coisa de broxa, viado, virgem, punheteiro. pois é. mas um homem que é vegan e fala “terrível” ao invés de “é foda…” eu não consigo classificar na escala bichística)

– Por quê?, pergunto.

– Cara, imagine se Hitler pegasse todos os judeus de Awschwitz, matasse, esquartejasse, desossasse, os picasse em pedacinhos, pusesse os pedaços em grelhas, salgasse, colocasse esses pedaços em espetos e desse pras crianças alemãs comerem.

– Hum…

– Imaginou?

(sim, imaginei, mas eu tava mastigando meu pedaço de bife bem passado e olhando pra bunda da morena comível, olhando a marca da calcinha – um pouco grande – na calça de lycra)

– Sim, é foda…

– Os animais sentem dor, cara. Dor mesmo. Sofrem, choram. Já viu um cachorro chorando? É triste, né?

– Mas os animais que comemos são criados exatamente pra isso.

– Po! Seres vivos! Seres vivos! Sofrimento. As granjas são verdadeiros campos de concentração. Sabia que eles arrancam os bicos das galinhas pra que elas não biquem umas as outras? Elas ficam sem bico, cara! Já imaginou uma galinha sem bico?… Vou te mandar uns vídeos.

(eu continuava a comer meu almoço e Josefino só queria me enfiar na cabeça a ideia das galinhas sem bico. tanto que tinha esquecido de tocar na sua salada sem maionese – pois maionese leva ovos e ovos são uma crueldade extrema. ele não me disse isso, mas imaginei que fosse esse o motivo dele dizer “não gosto de maionese” quando eu perguntei a ele se ele gostava um pouco antes)

– Eu não quero ver vídeos, eu disse.

– Tem que ver. Tem um horroroso, de um matadouro. Tradição judaica é prender os bois no matadouro em cubículos onde mal podem se mexer, colocar as cabeças deles em buracos e serrar o pescoço deles pro sangue jorrar.

– Que coisa…, eu disse, terminando de engolir a última porção do almoço e tomando o último gole de coca.

– Terrível. Tem outro de um homem tirando a pele de um guaxinim. O bicho ainda vivo, se debatendo, e o cara esfolando o coitado. Um horror, um horror. É terrível assistir. Se você já criou cachorros ou qualquer outro bicho vai ter pena. O guaxinim chora, esperneia. Depois o cara joga ele no chão, sem pele, pra morrer.

– Putz, que foda.

– Os animais são tratados como… São tratados com crueldade, sem escrúpulos; as pessoas, infelizmente, não têm consciência do mal que fazem. É o único motivo. Se a maioria das pessoas pensasse no que os bichos passaram para estar ali, no prato, não comeriam, de vergonha.

Olhei pro meu prato vazio, a barriga pesada. Coloquei o copo de coca na boca, levantei e esperei escorrer pra mim uma última gota. Josefino começara a traçar sua salada.

Esperei ele acabar, falando sobre animais ainda, ele me explicando outras atrocidades do reino dos abatedouros, pra me deixar mal e eu me tornar mais um companheiro verde, de vergonha da minha falta de amor no coração pela natureza e pelos meus semelhantes, habitantes do mesmo planeta e de igual direito à vida.

Fomos pro serviço e Josefino continuou a destilar seu conhecimento sobre matança animal durante todo o resto do expediente.

Às cinco da tarde, frugalmente, fomos pra casa. Cada um com sua cota de boa noite dada. Cada um com sua cota de olhadas pra bunda de Rose, a secretária do Diretor-Executivo e pros peitos de Joana, a estagiária de Engenharia.

No carro eu pensei sobre tudo o que Josefino me dissera. Filhodaputa, não iria mais almoçar com ele, nem fodendo.

Passei pelo Mercado de Pássaros da Madalena e pensei um pouco. Não muito. Mais à frente na Rua Real da Torre, fiz o retorno. Parei no Mercado e olhei os stands, já fechando. Uma gaiola, um pato. Patos.

Patos são aves frenéticas.

Um velho sentando num tamborete, conversando com dois taxistas estava do lado da gaiola do pato.

– Eu quero esse pato, eu disse ao velho.

– Trisdnsas.as, ele disse baixo.

– Ahn?

– Trinta reais.

Comprei a porra do pato, no frigir dos ovos. Não vou estender muito, pra chegar na parte boa da história. Comprei a porra do pato. Um Engenheiro Civil que mora sozinho num flat na Av. Beira Rio acabara de comprar um pato. O pato grasnava no banco de trás, jogava suas penas e fazia quen quen. Não quá quá, quen quen mesmo. Quen quen é o som que um pato que está no banco traseiro de um peugeot vinho guiado por um Engenheiro Civil – orgulhoso desse fato ao ponto de escrever isso com iniciais maiúsculas – e dentro de uma gaiola de ferro faz.

 

Josefino não me falou sobre patos.

Levei o pato pra cima. O porteiro abriu o portão, obviamente, da garagem e eu subi para a minha vaga, no patamar superior. Não me viu entrar no elevador com o pato, mas deve ter visto pela câmera do elevador. Decidi olhar para o espelho, observar a barba cerrada no queixo, como quem não está levando uma gaiola com um pato soltando penas e fazendo quen quen.

Entrei no apartamento, liguei o som. Não muito alto, Santana, mexicano. Abraxas. Abraxas com pato.

Deixei a gaiola com o pato em cima da mesa da sala e fui tomar um banho. No chuveiro, fiquei pensando na música, no pato balançando na gaiola, no Josefino e seus papos chatos sobre veganismo, na secretária do Diretor Executivo, Rose, nos peitos grandes, morenos e duros de Joana, a estagiária, na bunda da morena do self-service, na bunda da Juliana Paes, na playboy, na bunda da mulher-jaca, na bunda da mulher-melancia, na bunda da mulher melancia balançando enquanto ela segura a parede, empinada, na bunda da Monica Santiago, no cu da Monica Santiago, rosa. O cuzinho rosa, ela abrindo aquela imensidão de bunda morena, pra relevar um botão rosa, pequeno, sutil, gostoso. Toquei uma boa, de pé. Depois lavei a mão com sabonete, passei xampu no cabelo, pra cobrir a gozada no chão, mas tava tudo indo pro ralo rápido, ainda bem.

Me enxuguei, penteei os cabelos, saí do banheiro e fui pelado até o quarto. Vesti uma calça jeans, manchada, com nódoas que provavelmente não sairão nunca. Vesti uma camiseta branca, tirei as lonas de debaixo da cama e as prendi nas paredes, ao redor do armário, escondendo a cama e todo o resto do quarto. Por último, cobri o chão. Montei a câmera no tripé, acendi o pedestal com uma luz forte, branca, muito boa. As lonas eram pretas, davam um ar sinistro. Fui até a sala e peguei a gaiola com o pato, que ainda fazia quen quen. Aumentei o Santana, mexicano, até cobrir o quen quen. Deixei a gaiola no chão e fui ajeitar a câmera. Coloquei pra gravar. Bip.

Tudo coberto com lona, o ruim é ter que afastar a lona pra passar pra cima e pra baixo. Era melhor eu armar o circo sem tanta lona. As cortinas estavam fechadas, a janela tem fumê e nem dá pra tantas janelas assim do prédio ao lado. Mas é mania, mania é foda.

Deixa eu ir logo pra boa parte.

Peguei meu Ivanhoé na cama, afastando a lona de novo e me enrolando, brigando com a lona pra que ela ficasse presa no prego na parede. Pus no rosto o Ivanhoé e fui ver embaixo da cama a caixa com as ferramentas. Hoje seria prático: alicate chave de fenda, grande.

Ivanhoé é touca preta, pra quem não sabe. Coisas do exército, um tempo que lembro com saudades. Foda-se, tem nada ver com a história. Nem é a parte boa ainda.

A câmera gravando esse tempo todo sem eu estar lá. Devidamente paramentado, fui até o foco. Me abaixei e peguei o pato pelo pescoço. Quen quen, frenético que era, esperneava. Mostrei pra câmera o pato, frenético, esperneando, e o estrangulei com o alicate. Apertei forte. Santana rasgava a guitarra e eu rasgava o pescoço do pato. Ele fez uns movimentos muito engraçados com o corpo todo, as asas, as patas, a cabeça. Espasmos. Apertei o pescoço dele até ele soltar uma tripa vermelha pelo bico.

Fiquei dançando pra câmera balançando o pato morto, igual o Max Headroom em 1987. Depois destrocei o bicho com a chave de fenda, furando, espalhando tripas, sangue, penas, muitas penas. Eu urrava. Santana já tinha parado de tocar e eu urrava ROAR ROAR, destroçando o pato. Bip, a mão toda sangrenta apertando o botão da câmera.

Arrumei toda a bagunça e fui jantar. Não eram nem nove da noite. Jantei pizza, resto de ontem.

Tomei outro banho e toquei outra punheta bem gostosa.

Fui pro quarto, vi uma pena no chão e joguei pela janela. Os restos do pato estavam num saco preto, obviamente, no lixo da cozinha, que eu jogaria fora amanhã de manhã.

No PC, entrei na internet e soquei outra bronha vendo o redtube. Passo mais tempo escolhendo vídeos do que vendo sexo propriamente dito. Acabo sempre num bom vídeo de coroa gostosa levando no rabo. Limpei a mão num lenço de papel que tirei da caixa ao lado do monitor, que estava ali justamente para esse fim, e fui editar o vídeo que acabara de gravar.

Demorou. Quase duas da manhã, terminei, finalmente. Loguei no fórum allfetish, do qual sou moderador, e postei minha nova criação.

Aproveitei a deixa, mandei por email, pelo email do allfetish, pro Josefino.

Pense num sono danado me deu. Deitei na cama que nem sonhei. O PC ligado, baixando um filme do Sady Baby por torrent. Minha net é meio lenta, preciso trocar de provedor.

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