Contos, Papo furado, Poeminhas

Deflexões moribundas


A calçada de cimento esfria enquanto tento existir mais um tempo. Já nem sinal do barulho, nem percebo mais nada ao meu redor. Nem a dor no meu peito incomoda mais. O que quero é esse muro se levantando sobre mim, mergulhando no céu de estrelas. O que quero é a nuvem azulada trazendo uma chuva que não vou ver. O que quero é o vulto na sombra do céu, o olhar que acende na noite infinita. É uma gata alumiando os cinco segundos que ainda restam do mundo. Como eu sei que é uma gata? Esfriar no chão sujo é o que me importa. Ainda há tempo de uma última dúvida. O que não daria por um miado.

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Um comentário sobre “Deflexões moribundas

  1. Gosto do seu texto em todas as peculiaridades que possui. Essa imensa necessidade de transformar as paisagens que estão dentro de você em texto, provoca uma sensação estranha, como se de repente eu me pegasse admirando um bicho esquisito que nunca vi. Contundente, sem ser de todo chocante. Multiplo, na multipla estranheza que é a propria vida. Enfim, palavras que dizem muita coisa em poucas palavras.

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