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Luto por Heloisa Galves


Eu não queria estar escrevendo esse texto.

Hoje à tarde fui surpreendido por uma notícia horrível. A escritora Heloisa Galves, poetisa de grande monta, havia falecido durante a madrugada.

Chocado foi o mínimo que eu fiquei.

Os poucos contatos que tive com a pessoa Heloisa no orkut foram engraçados, intensos, irônicos, divertidos. Ela tinha um gênio fortíssimo e um humor e inteligência que poucas vezes na vida tive a oportunidade de ver numa pessoa. Nos últimos tempos, não vinha com muito contato com ela, por causa de uma picuinha besta numa comunidade do orkut da qual faço parte. Estávamos bem, logicamente, um com o outro, mas não brincávamos mais como antes.

O contato que tive com a obra de Heloisa Galves, antes de saber quem era Heloisa Galves, vem de mais tempo.

A loja da qual ela era dona, Alemdalenda, tem uma filial no Shopping Recife. Desde pirralho eu passava por ela, com seus incensos, duendes, cristais e coisas do tipo. Lembro da piada que todos faziam com o nome da loja “além da lêndea”. Sem graça, é verdade. Além disso, as ilustrações que a Heloisa fazia sobre duendes sempre me fizeram associar com a loja. Um desenho parecido, pois esta marca era e  é muito imitada por aí, me fazia logo lembrar da Alemdalenda, “além da lêndea”. Marcou a minha infância.

Depois foram os contatos através da poesia, coisa que sempre fizemos questão de propagar pelo orkut e outros meios digitais. Lembro que o primeiro poema que li dela foi um chamado “Fofoletes assassinas”, e por isso eu a chamava de “fãfolete”. Ela veio me mandar recado, dizendo que não era “fãfolete”, uma coisa que me fez rir muito. Nós sempre brincamos um com o outro. Helo, como todo mundo a chamava, era de uma alegria e personalidade muito marcantes.

Ano passado, no aniversário dela, depois de uma conversa cheia de besteirinhas e brincadeiras, ela me pediu um poema. Eu, logicamente, com o clima, escrevi uma besteira cheia de malícia (que ela adorou, é bem verdade, até me pediu para mandar como depoimento):

Para a minha noiva

As coisas que se acham num abraço:
uma bazuca, um entorpecimento
sanguíneo, nas nervuras do ser,
amar e coisa e tal e etc.

– percebeu? –

Involuntário: de uma ereção inoportuna
(ou não)
acabei casando.

Tudo bem, tudo bem,
vamos ao que interessa,
essa eterna lua-de-mel.

Mas nem uma cervejinha traz pra mim na cama?

Hoje eu olho para esse poema, do qual nunca gostei, com um carinho, saudade, ternura, como nenhuma outra coisa que escrevi me causa.

Não tenho muitas coisas para dizer além disso, só expresso o meu pesar e a falta que a Helo vai fazer para todos que tiveram o privilégio de conhecê-la.

Beijos, Helo, onde estiver.

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4 comentários sobre “Luto por Heloisa Galves

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