Papo furado

A missão


O vento gelando os ossos de toda Porto Alegre. Na Praça da Matriz, velhinhos jogando grãos aos pombos embaixo do monumento a Júlio de Castilhos. Dois homens sentados ao pé da estátua, conversando:

– E quanto pesa um pombo?

– Um tira-gosto, mais ou menos.

– O peso de um telefone ele aguenta, tchê?

– Se aguenta! Dia todo comendo milho que velho dá, tem vitamina pra cacete no milho.

– Nada a ver.

– Rapaz, ele come tatuzinho de jardim, minhoca, milho. É um bicho forte. Já viu a quantidade de merda?

– Nada a ver.

– Olha, porra, to aqui explicando a real pra ti. Não vai embaçar!

– Não to embaçando, só pensando, tchê.

– Então não pensa! O Zeronove disse: ou dá ou desce!

– Ok. É o nosso pescoço em jogo, então?

– Ô se…

– Bah, desgraça… Ouvi dizer que já fizeram isso uma vez.

– Eu também.

– Cada uma que o Zeronove manda pra gente…

– Ele é inteligente, rapaz. Daqui de fora como a gente ia fazer senão desse jeito?

– Verdade. Na perseguida das velhas manjado demais.

– Pois é…

Ambos esfregam as mãos. Olham-se, companheiros. Uma missão muito simples a cumprir. Hora da captura.

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Texto inspirado por: http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL1341235-5598,00.html

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