Contos

Coisa muita


Uma caqueira voando, é o vento que leva. E ela se quebra em mil-milhões de pedacinhos, se faz e refaz em cores, em verde, em folhas, raiz – quero ver e não consigo.

Eu, filho da água e do enxofre, poça de lama e lembrança de Augusto dos Anjos.

Olha ela lá voando, a nuvem azul (ou verde, ou cinza) cruzando o céu, deixando rastro.

Medo dalguém pisar em mim – profundissimamente hipocondríaco. Ela voa, eu jardineiro sem braços tesoura.

Ou Jardim, como me disseram várias vezes. Nem posso perceber mais nada, sou poça afundando, a terra sugando, sugando. Arenosa, arenito. Mil-milhões de poros, eu afundo, evaporando.

É sonho, deve ser. Ou pode, que dever é coisa muita.

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