Contos

Travessura


Dona Dalva de janela aberta. João embaixo, cachorrinho do lado, só espiando. Manoel deixa a moto bem na frente da casa. O muro é alto e o cachorro conhece todos da rua, late só pra fazer festa. Manoel entra de bujão no ombro, água mineral. Dalva diz, deixa aí mesmo, quer uma água gelada? Ele entra. Biscoito Maria? Tem biscoito champagne, tem biscoito sortido, se quiser. Aceito, ele diz. Ela de saia de pano florido, até o joelho. Puxa a barrinha da saia, enxuga suor da testa, calor não é?, diz, Inda mais com feijão no fogo.

Por que dos pormenores ninguém sabe. Demoram um tempo pra se agarrarem, jogam-se no sofá da sala, na avidez dos pecados. A mão grossa de Manoel quase rasgando a saia de pano fino, nem tira a calcinha, puxa pro lado esquerdo.  A última coisa que fariam, pelo menos parecia. A barba arranhando o pescoço de dona Dalva, ela repuxando a musculatura, ai sua safada, ele diz.

Vão até o portão, beijo profundo. Tchau querida, tchau querido. Casados, sempre esse ritual na hora do almoço. João até agora com a mão no calção, dureza baixar a pitoca. Tinha que esperar ficar mole pra pular o muro de novo, ganhar a rua e pensar nisso o dia todo. Mas antes, roubar jambo do quintal de Dona Dalva. Sempre foi distraída, a mulher.

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2 comentários sobre “Travessura

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