Contos

Cosmonauta


“Pra frente, pros lados, pra cima, pra baixo, pra trás. Tudo é céu. Possível que pra dentro também o seja. O painel já não dá sinal, combustível acabou pra mudar a direção. Erro, espaço afora. Asteróide de metal e técnica. Ligas de carbono me prometem não arder caso eu caia. E lá na frente há o planeta. Não precisa de esforço pra saber o destino, não esqueci como manipular uma boa equação diferencial, tenho como escrever e apontar. Calcular distrai. Computador não tem.”

“Companheiros de bordo, foram morrendo todos. Missões se fazem de riscos, nunca ninguém foi tão longe. Desde então, não transmito. Rádio por dez anos. Manipulação manual de antenas. O Controle da Missão não respondia. Eu não pensava em esquecimento ou erro, e não penso, pelo contrário. Sossego-me pensando que algo grande demais aconteceu enquanto estivemos fora.”

“O azul bonito me dá esperança de que lá embaixo haja algo de aproveitável. Sem o painel, não posso manobrar. Não há como aterrissar sutilmente. Nuvens, seus contornos se mostram ao telescópio. Como é bom saber. E abaixo o oceano. Lindo, como se fosse minha casa.”

“Termino aqui. A atmosfera gerará o atrito. Ligas de carbono se foram. Prometiam demais.”

Abaixo das nuvens, nas ilhas de selva, répteis gritavam. Ensandecidos. O brilho no céu de uma estrela de morte anunciava o seu fim. E após o clarão, o tremor e as ondas, a nuvem de poeira escureceu tudo em volta. Por séculos.

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2 comentários sobre “Cosmonauta

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