Poeminhas

A carne e os ossos


Pense nos olhos,
os meus, entre os seus dedos,
na palma da sua mão.

O toque hostil, fugido,
da minha língua.

Ofereço-te meus dentes,
a carne que se prende
nas minhas falanges.

Olhe esta unha:
está aí só pra te fazer
engasgar.

Pense nos olhos.

E outros gritos.

Dê-me um bom motivo
e te venderei minha alma.

Corte-me profundamente.
Eu sou pedaços de mim
na sua boca.

Mastigue: olhe meus pés.
Tire mais um naco.

Pense nos olhos.
Esses globos que rolam
fechados.

Engula. Isso, engula…

Beba isso que sou eu.
Engasgue de novo.

Esse osso está aí
pra te fazer sufocar.

Esforce-se e degluta.
Satisfaça-se.

Prove que tudo isso
é inevitável.

E encha,
com outro morto,
esse seu prato.

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