Contos

Noite afora


Caralho! Você não sabe nada sobre nada! Já viu um pescoço sendo cortado, ou sentiu o gosto do sangue esfriando na língua, ou o gemido de prazer antes dos olhos revirarem? Já sentiu o calafrio que dá quando nos dirigem um olhar de medo? Não. Sabia que não. Então não venha me contestar.

bdskr.com era um site, não existe mais. Lá havia pessoas como eu, poucas, mas havia. Havia góticos, headbangers, adolescentes e as pessoas que realmente tinham bagos, que realmente queriam levar as coisas acima do sensorial, da curiosidade.

Masturbação? Claro, sozinho não há coragem. Cinco somos todos. Há uma mulher, gorda, linda como um jato vermelho sob o luar. Nomes? Foda-se! Falo a contragosto, contente-se.

O site acabou, denúncia. Havia vídeos, poemas, imagens. Muitas mentiras. Só nós cinco éramos sinceros. Os outros marcavam encontros em cemitérios, compravam velas, rezavam pra Satã, puta merda!, que coisa mais religiosa! Nós éramos masturbação. E planos.

O primeiro encontro nosso? Não lembro o dia, o mês, datas eu não sei. Gosto da noite, na noite não há datas, só nas noites de natal, ano novo, mas nessas noites estamos tomando cidra ou esperando papai-noel. As noites comuns, as noites de maio, mês que não tem nada, entendeu? Noites comuns, onde há bêbados, putas, mas poucos, coisas de rotina.

Primeiro uma puta, não podia deixar esperma lá, a gordinha lambeu a bochecha dela naquele beco escuro, pagamos, dissemos “suruba? faz?”, ela fazia, o Bephagor, que nos reuniu, tem um punhal de prata. Sabe a carótida? A gente se sujou todo. Masturbação, a gorda chupou todo mundo, até a defunta. Gozei na boca da gorda. Ela comia mais do que nós.

Beber sangue nos deixa eufóricos. A polícia sabe disso, não sabe quem somos.

E saímos, todo mês de maio, todas as noites de agosto. Só nas noites que não são especiais. Uma, duas vezes por ano.

Somos cinco pessoas com tesão.

Depois da festa, vamos pra nossas casas, levamos um pouco pra beber depois. Temos vidas comuns, família, a gorda tem três filhos lindos.

Entendeu? Não? Sabia que não.

Nos dias seguintes há os cafés-da-manhã.

Você não sabe o gosto de sangue de puta com croissants…

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