Contos

Uma história de amor


O chato em ser professor de matemática é o fato de que quase ninguém está realmente prestando atenção ao que você diz. Nunca fui um engajado, mas muitos dos meus colegas ligam pra isso, se aborrecem, se desiludem com os alunos, com o sistema educacional. No meu caso, nunca gostei do sistema educacional, da escola, na verdade eu nem sei por que me tornei professor de matemática. Ora, mas pra quê se indispor com alunos se a culpa é nossa? Pior, pra quê se indispor com os alunos se a culpa é dos pais deles?

Assim que me formei, arranjei um emprego no Colégio Dom Fernando, um grande colégio particular, com um ótimo salário e garantia de efetivação, afinal o proprietário era amigo do meu pai. Eu era o aluno brilhante da licenciatura, fui aceito sem delongas, mas mesmo que eu fosse o pior de todos, estaria tudo bem.

Sempre fiz o papel de bom moço, professor brincalhão, o piadista da sala de aula. Os alunos morrem de rir, os putos. É melhor bancar o palhaço do que o carrasco, o turrão, pelo menos ninguém vai querer furar o pneu do seu carro (quer dizer, eu acho, apareceram uns arranhões na lataria do meu uno, ano passado. Os putos não perdoam nada) ou bancar o desafiador pra cima de você. Eu até me acho divertido, e os alunos gostam de mim, me chamam para tirar fotos, confidenciam suas brincadeirinhas bestas. Sou querido.

Ser um jovem professor querido é uma vantagem sobre os velhos professores chatos e apáticos. Também é uma vantagem sobre os jovens professores engajados e irritados. Meus colegas reclamam deu não ligar para a bagunça na minha aula, deu nunca levantar a voz nem repreender ninguém. Ora essa, eu tenho tudo planejado, sou rígido na correção das minhas provas, passo todo o conteúdo com zelo, eles tiram notas baixas por burrice. Óbvio que não falo isso para os alunos, digo que se eles tivessem prestado mais atenção no conteúdo do que nas piadinhas, tirariam boas notas. É sempre assim. Também não faço questão de reprovar ninguém. Se o aluno está muito ferrado, um ponto, até dois. Isso me faz popular, driblo a direção dizendo que passo trabalhos extraclasse para que eles utilizem “a matemática em suas aplicações práticas”, por isso os pontos extras.

A vida na escola é tediosa. Há dois anos que exerço a profissão, dou aula nos dois turnos, manhã e tarde. As aulas estão preparadas desde os tempos de faculdade. Guardo-as no computador. Muitas provas também, tenho cartas na manga para quando não tenho saco para elaborar os “exercícios de verificação de aprendizagem.” O tempo inteiro é a mesma coisa: aulas repetidas e irritantes, cafezinho na sala dos professores, mais aulas repetidas e irritantes, saída para o almoço, voltar para a escola, encontrar outros companheiros do turno da tarde, aulas repetidas e irritantes, sala dos professores, aulas repetidas, irritantes e, pior, cansadas. No fim do dia, estou exausto.

À noite, principalmente quintas e sextas, procuro tomar algo quente. Umas doses de vodka com dois colegas, Silvério, professor de história, e Zéfiro, professor de biologia. Éramos praticamente da mesma idade, ouvíamos músicas parecidas, além de dividirmos as mesmas experiências na escola. Silvério era um engajado, lutava por uma nova forma de ensino, uma coisa que aproximasse mais os alunos da história. Tocava violão nas aulas e era, na maioria das vezes, bem recebido. Zéfiro era um professor mais tradicional, mas também era um brincalhão. Tinha o mesmo costume que eu: observar as alunas.

E elas eram o nosso principal assunto nas rodas de conversa e vodka. Silvério não gostava muito disso, mas também comentava; “Aquela moreninha do 3° B”, disse Zéfiro, “Qual?”, “A que tem um irmão no 1° ano A”, “Ah, Luciana Tavares, realmente, uma beleza…”, “Peguei”, “Como é?”, “Sábado passado teve uma festa, um pagode, eu estava com dois amigos, aí passa a Luciana com outras duas meninas, nem as vi, ela quem gritou ‘professor!’, eu disse ‘não me chama disso aqui, morena’, ficamos conversando, acabei levando ela pra casa e, vou contar a vocês, que gostosinha!”, irrompemos em risadas, sabíamos que era uma mentira descarada e deslavada. Professores são animais que sonham.

Certa vez, uma professora de química, Andréia?, Andresa?, não lembro o nome, isso já tem algum tempo, entrou na sala dos professores chorando. Eu tomava o meu café e olhava para o meu notebook. Todos foram consolá-la, “O que aconteceu?”, entre fungados, disse que um aluno havia jogado uma garrafa d’água cheia na cabeça dela, “Eles não respeitam mais nada! São uns animais, func, e esse Rodrigo especialmente, se ele continuar na escola, func, eu me demito!”, o garoto foi expulso. A professora também não ficou muito tempo, não aguentou a pressão. Ela tinha razão, são uns animais.

Uma vez um aluno jogou um papel molhado na minha cabeça. Eles se encorajam porque sou baixinho e gordinho. 1, 70 m e 93 kg, nada de músculos. Também sou meio careca, uso óculos, minha voz é um tanto fina. Fui até a cadeira dele e disse “Por que você fez isso?”, ele, não contendo o riso, respondeu, “Não fui eu…”, então eu peguei o punhal que guardo no meu bolso e apontei para o olho dele, alguns alunos se levantaram e tentaram me segurar, mas eu furei o olho esquerdo do filho da puta. Foi um movimento rápido, rasguei o globo ocular dele, o sangue escorreu enquanto ele escondia o rosto com a mão. Ele urrava de dor.

Lógico que essa é uma gorda mentira. Esse é o meu sonho n° 2. De qualquer forma, tenho um canivete com lanterna na minha bolsa. Ninguém sabe disso. Óbvio que não pretendo usar, pelo menos não agora, não sei. Os dias conseguem ser muito parecidos.

Como eu disse antes, professores são animais que sonham. O meu sonho n° 3 é comer uma aluna gostosa dessas. Minha vingança para com seus paizinhos ricos e idiotas. Odeio reuniões de pais e mestres, os pais dos putos se acham superiores a nós, “Essa escola é cara, isso não devia estar ocorrendo”, diziam, e os filhos?, uns imbecis. O número 4 era comer uma estagiária, mas já realizei. Uma mocinha que deu umas aulas de física. Não sei como ela se interessou por mim, tomamos uns cafés, umas cervejas, foi muito legal. Um dia, fomos pro meu apartamento. Moro sozinho, meu lugar é meio porco, mas eu lembro que ela deu uma geral naquele chiqueiro no domingo seguinte a nossa transa. O nome dela é Juliana, ainda tenho o telefone, mas ela tem namorado agora. De qualquer forma, agradeço muito à Juliana.

Tem ainda o n° 1, mas esse eu considero ainda mais impossível que o 2. Um dia, quando eu estiver muito de saco cheio, compro uma arma. E ela estará novinha, carregada. Passarei uns domingos treinando pontaria em algum lugar. Até que um dia, depois de tudo planejado, estarei na sala de aula. A algazarra se formará e eu, impassivelmente, colocarei uma questão das mais difíceis no quadro. Direi, “alunos, hoje a aula será diferente”, e chamarei o mais burro de todos para resolver a questão. Pegarei o celular e colocarei o alarme para repetir de cinco em cinco minutos. Ele estará lá no quadro, quebrando a cabeça, então eu puxarei a arma e apontarei pra ele. “Você tem quatro minutos para resolver, se o celular tocar, você morre.” Ele vai se cagar de medo e eu triunfarei. Se o alarme tocar, mato. E mataria mesmo. E continuaria matando um a um, até a última bala. Regojizante. Isso sim é uma fantasia.

As aulas no 2° ano C estavam mais agradáveis. Amanda Oliveira, uma magricelinha ano passado, deu uma encorpada. E que encorpada! Ela vinha com as calças jeans bem apertadinhas. Sua bunda estava arredondada, arrebitada. As pernas tinham dado uma torneada. Os peitos eram duros e altivos. Sem falar no belo rosto, que tinha melhorado bastante da acne. O Zéfiro não perdoava: “ainda pego essa loirinha, tem cara de safada.” Esqueci de mencionar que, como eu, o Zéfiro tinha o hábito de se masturbar pensando nas alunas. Dizíamos que era uma forma de pensar como os meninos que ensinávamos, éramos seus companheiros em sonhos masturbatórios, e tínhamos as mesmas musas. Confesso que somos dois canalhas.

Brincalhão, porém relapso, esse é o meu perfil. Não gosto das festas da escola, mas todos os docentes são obrigados a participar. Eu fico no canto, tomando refrigerante, conversando com os meus colegas. Os alunos vêm brincar comigo, eu correspondo às vezes. Era uma festa de páscoa, maldito colégio que faz festa pra tudo, eu estava sozinho, tomando coca-cola, encostado na parede do ginásio. Os alunos dançavam, se divertiam. Amanda estava com uma saia curta, veio sorrindo para mim: “Professor, você ta tão desanimado…”, “Nada, Amanda, gosto de ficar no meu canto”, “Não quer dançar?”, pensei um pouco e respondi, “Não”, então ela foi embora. Zéfiro tinha visto a cena, “Arnaldo, você está doente?”, “Você sabe que é bronca…”, “To brincando, rapaz, brincando”.

Desde então, notara os olhares dela para mim durante as aulas. A sala ficava na mesma algazarra de sempre, e ela a olhar pra mim, a cochichar com as amigas. Minhas aulas estavam ficando uma porcaria. Não parava de pensar naquela loirinha.

Cruzadinhas de perna. O jeito como vinha perguntar as coisas para mim no birô, puta que pariu, ela realmente não sabia com quem estava se metendo. Ia pra casa e descarregava minha bronha. Às vezes, aos sábados, quando voltava pra casa depois de tomar umas com os colegas, eu pegava uma puta. Ligava algumas vezes, outras eu pegava na rua. Gostava das novas, 16, 17 anos, a idade das minhas aluninhas. Um dia, peguei uma que era parecida com a Amanda. “Vou te chamar de Amanda, minha piranha”, e transamos gostoso. Fizemos de tudo. Eu puxava o cabelo dela enquanto a pegava por trás. “Amanda, sua putinha, sua cachorra!”

Os dias foram passando e a menina se insinuando mais e mais. Até que um dia eu tive uma ideia. Passei uma folha de caderno no 2° C pedindo os emails deles. “Vou repassar um material interessante e gostaria que todos dessem uma olhada, vai valer nota”, no email dela, mandei a seguinte mensagem:

“Tenho reparado nos seus olhares. Se você realmente quer alguma coisa, me responda por email. Não fale a ninguém sobre isso.

Beijos, Arnaldo.”

Eu queria trepar com ela, e muito, e fiquei esperando a resposta. No outro dia, abri a caixa de mensagens.

“Naum digo a ngm, qro mto fikar com vc, axo q to apaxonada, o pro e q tenho vergonha rsrs

Meu telefone é 876…”

Ficamos trocando emails. Procuramos manter as aparências na escola. Eu disse pra que ela arrumasse um namorado, para disfarçar. Foi o que ela fez, namorava com Daniel, um garoto do 3° B. Alguns dias mais de planos, chega um fim de semana. Marcamos de nos encontrarmos no shopping, no estacionamento, às 14 horas. Ela se atrasou vinte minutos. Eu estava quase desistindo. Como estava cheirosa. “Tive que despistar todo mundo pra vim aqui”, ela disse.

Íamos direto pro meu chiqueiro, mas ela disse que estava com fome. Parei num Mcdonalds, eu pedi um Big Mac e ela um McSalad. Tomamos coca-cola, conversamos baixinho, acariciamos os braços um do outro, eu não via a hora de tomá-la. Dirigi com pressa de chegar ao apartamento. Quando entramos, tirei sua roupa apressadamente, como eu queria foder aquela cachorrinha, aquela desgraçada. “Ela tem cara de safada”, dizia Zéfiro, “deve brincar já, hehehe”, eu não acreditava. Fomos para o meu quarto e ela me chupou. Puta merda! Aquilo era uma mamada e tanto! Nunca tinha recebido uma tão boa de graça. Isso me fez pensar que ela já não fosse mais virgem. Depois eu comecei a comê-la, e com força. Comecei a xingá-la. Aquela foda era mais que uma realização de fantasia. Trepando com ela, eu trepava com os pais dela, com suas colegas, com seu namoradinho, com aquela escola de merda inteira. Ela começou a chorar, reclamar que estava doendo, aquilo só aumentou meu ímpeto e o meu tesão. Gozei em suas coxas, e com os olhos vermelhos de lágrimas, ela me olhava e fazia beicinho.

De repente, abriu o berreiro. “Quero ir pra casa, quero minha mãe”, pensava em dar outra, mas a piranha não facilitava. Senti uma pontada na barriga, “porra, o hambúrguer”, pensei. Ela estava sentada na minha cama, olhando para o esperma escorrendo de sua perna. Percebi um pouco de sangue no meu lençol, então eu me engasguei com a saliva. “Você era virgem?!”, “E-era… Eu… não… que-queria… que fosse assim… Não…”, ficou repetindo isso e soluçando. Não aguentei a pressão e fui ao banheiro dar uma cagada. Deixei a porta aberta, para que ela sentisse o fedor, a vagabunda. Mesmo com a torrente de bosta, ouvia os seus soluços, até que foram cessando. Eu ainda estava no vaso quando ela, devagar e escondendo os seios e o sexo, entrou no banheiro. “Quero tomar um banho”, eu disse que no meu quarto havia uma toalha, ela foi lá, se enrolou e entrou no Box, chorando. Observei o seu vulto se lavando. Dei a descarga e, enquanto me limpava, percebi que seu choro tinha cessado. Agora ela cantava, não sei que música, uma dessas que fazem sucesso entre os adolescentes. Fiquei pensando, “puta merda, nossa relação chegou num outro nível agora.”

Ela abriu o Box e pôs a cabeça do lado de fora. “Vem cá”, ela disse.

Ficamos de casinho, vez ou outra nos encontrávamos. Ela acabou o namorico, estava realmente apaixonada.  Mandava emails ternos, mensagens de celular, quase nos entregava com suas atitudes na escola. Porra, aquilo estava me sufocando como nunca, mas o pior é que eu estava gostando. Paixonite desgraçada.

E o mundo se tornou uma coisa mágica.

Um dia, eu disse para ela tudo, como eu realmente me sentia para com a escola, para com os colegas, ela eu tinha deixado de odiar, no fim das contas ela se mostrou uma grande pessoa. E me compreendeu: “também odeio aquele Colégio Dom Fernando…”, “Mas SUA OBRIGAÇÃO é odiar a escola! Você é uma aluna!”, “Não é assim…”, “É sim! Eu sempre odiei a escola, e isso me fazia um bom aluno, a vontade de me livrar logo daquela merda toda.”, “O que importa é que nós dois odiamos aquilo.”

Ela estava guiada demais por meus pensamentos, quando expliquei o plano, “é besteira… ta bom, ta bom, eu digo”, da compra da arma, ela apoiou na hora. “Faça na minha sala, lá tem a turma do Thiago, que não respeita ninguém.”

Uns dias pensando, pesei o que perderia e ganharia. Lógico que ganharia muito menos do que perderia. Na verdade, não ganharia nada além da satisfação de macular a reputação daquele colégio. Isso era uma vingança e tanto. Vingança por tudo, pelos alunos relapsos, os professores inoperantes, os pais autoritários, todo aquele cenário apático. Estava decidido, eu faria.

A arma foi mais fácil conseguir do que eu pensava. Comprei uma Taurus, .380, 15 balas no pente e uma na agulha. Eu tinha 600 reais no banco, para a compra de um notebook novo. Comprei a arma e dois pentes. 31 tiros. O 2° C tinha 30 alunos.

Como não tinha balas extras, decidi não treinar. Eles estariam próximos demais para que eu errasse. Sem balas, porém, treinei recarregar, travar e destravar, eu fiz tudo isso em casa, sozinho.

“Comprei”, eu disse, por telefone, “Nossa, você vai fazer mesmo!”, disse Amanda, “Vou sim”, respondi, “E quando será?”, “Amanhã”, “Já?!”, “Sim, já”, “Nossa…”, “Está com medo?”, “Um pouco…”, “Não vou te machucar”, “Eu sei”, “Preciso que você durma aqui hoje”, ela pensou um pouco, “Vou sim.”

Tudo tão rápido. E não tinha volta. Ela chegou sem bagagem, sem nada, disse que tinha feito de tudo para despistar os pais. Transamos muito, até a completa exaustão, “Não tem amanhã, não tem porra nenhuma, amor, nada, somos nós dois, só isso.” Carreguei a arma e mostrei para a Amanda. Ela ficou admirada. Deixei a pistola na mesinha de cabeceira enquanto estávamos na cama. Depois, pus na minha bolsa.

No outro dia, andamos de mãos dadas, e entramos assim na escola. Despedimos-nos com carinho, mas nada muito escandaloso, mesmo assim vimos os olhos espantados de todos. Comentário geral, os alunos me encaravam de forma estranha. Segui até a sala dos professores.

“O que foi isso, seu doido?”, disse Zéfiro, que tinha visto tudo, “Isso o quê?”, “Você chegou de mãos dadas com uma aluna!”, “Ah, aquilo, olha, depois eu te explico, já ta na hora da aula.”, peguei meu material, minha bolsa, e segui para o 2° C.

A algazarra, todos tiravam uma com a Amanda. Quando entrei, calaram-se. Não entendi a reação deles. Aqueles putos nunca ficaram calados numa aula minha. Abri o livro e escolhi uma questão desafio. Comecei a copiá-la no quadro até que ouvi um grito estridente. Thiago. Todos romperam em gargalhadas. Olhei para trás, eles continuaram. Terminei de copiar tudo, então virei para eles, olhei toda a turma, os garotos do fundo, as meninas que não paravam de fofocar, as duas meninas da primeira fileira, que eram as únicas que prestavam atenção ao que eu dizia naquela sala. Então eu bati o grosso livro de matemática no birô. Todos se espantaram com minha atitude. Eu era o único professor que nunca fazia uma coisa dessas.

“Porra, professor, ta nervoso?”, disse Thiago. “Thiago, é que hoje a aula será diferente. Quero que alguém venha resolver essa questão aqui na frente, já que se manifestou, que tal vir você?”, “Ah não, professor, sei lá resolver isso…”, todos riram, “Venha, se resolver, ganha dois pontos na média. Se não, não perde nada e passa a vez para outro colega.” Ele se convenceu. Veio até o quadro, pegou o piloto e ficou pensando. Os colegas estavam esperando qual besteira ele iria fazer. Enquanto isso, eu acertava a alarme no meu celular. Amanda viu que eu abria a bolsa, então eu sorri para ela. A pistola estava lá. Até que ele jogou o piloto no chão.

“Porra! Sei lá!”, ele disse. Todos riram. Bem, nada sai como o esperado. A algazarra que eram as risadas se transformou em gritos de medo quando eu peguei a minha Taurus.  A turba tentou fugir, então eu corri para a porta da sala. “Ninguém sai até resolver aquela merda!”, então aproveitei a gritaria e atirei no pé de um deles. Não acertei. “Porra, uma bala pra cada um agora”, pensei. “Calem a boca!”, e eles me obedeceram. “Não to de brincadeira, Thiago, vem pro quadro!” Era um cenário desesperador, muitos choravam, mas agora eu tinha tudo sob controle. “Vai, caralho, pega o piloto, to mandando”, ele foi, tremendo de medo, “Rápido!” Ele chorava, cheguei perto dele e disse, “Para de chorar, sua bicha, resolve essa merda”, e dei um bofetão na nuca dele, “Vai porra! Resolve!”, “Eu… eu não sei…”

A situação estava muito divertida. Até que o alarme do celular tocou. Sorri mais uma vez para Amanda, agora que já tinha começado aquele desvario, tinha que ir até o fim. E o mais impressionante é que tudo era lindo.

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