Poeminhas

Madrugada doida


Entra, madrugada doida!
Com o cuidado disfarce de mango
ou “butter scene of last tango”
(lembra-se dela? Pois então, entra)

Faça-se casa, túrbida morada.
Morada mesmo, não és visitante,
mesmo que ainda se faça de amante:
Maria Schneider ou de Marlon Brando.

Tira os sapatos, deixa chuva aí mesmo.
Mostra tua cara, um roxo que conheço,
com brilho mil de púrpura barata.

Vênus, lua, e o laranja de marte
(este é pequeno, mas perceptível)
sem cerimônia, ou uma face crível:
não são teus sonhos que acobertam o nada?

Pois então, entra, pinga, madrugada!

Pinga esses sonhos ness’ íris cansada,
eu quero o sono frio da tua chegada:
sem outros versos que insistem em vir.

Senta aqui no canto da minha cama,
enche o meu quarto com a pureza insana
que ainda sinto quando penso em ti.

Entra, madrugada!

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