Papo furado

Companheiros mentecaptos!


Mencken, in “O Livro dos Isultos”, diz:

“[…]Por exemplo, a de que um poeta adulto é apenas um indivíduo em estado de retardamento mental – em suma, um mentecapto. Assim como todos nós, in útero, passamos por um estágio em que somos girinos (e quase indistinguíveis dos girinos que, no futuro, se transformarão em sapos), da mesma forma todos nos passamos por um estágio, em nossa menoridade, em que nos tornamos poetas. Um jovem de dezessete anos que não seja um poeta será apenas um jumento; seu desenvolvimento foi paralisado antes mesmo do seu estágio como girino. Mas um homem de cinqüenta anos que continue a escrever poesia é um infeliz que nunca passou intelectualmente da adolescência ou um bufão consciente que finge ser aquilo que nunca foi – algo mais jovem e suculento do que, na realidade, é. Na adolescência, um grande número de pessoas, talvez a maioria, tem tais ataques de devoção, mais isto é apenas o resultado de que, naquela idade, seus poderes de percepção superam seus conhecimentos. Conseguem observar os labirintos e aterrorizantes fenômenos da vida, mas são incapazes de mensurá-los. Mais tarde, até que seu desenvolvimento seja paralisado, gradualmente emergem daquele nevoeiro romântico e mal-assombrado, assim como emergem das alucinações da poesia. Refiro-me, é claro, àqueles indivíduos efetivamente capazes de receber educação – sempre uma pequena minoria.[…]”

Saiamos do nível tão bem entoado de clowns e desçamos mais um pouco, ao de simplesmente burros. Sob a palavra do iconoclasta dos iconoclastas, é o que somos, todos os que se dizem poetas, pricipalmente os que negam essa situação, recalcitrando-se por dentro, pensando nos versos mais belos tecidos na mais sonora das ignorâncias.

Depois é o álcool que faz mal.

Ao caderninho de versos!

PS: relaxem, logo após há:

“[…]Porque, naturalmente, está para nascer o homem que supere a poesia. Ele pode parecer curado dela, assim como se curou do sarampo na infância, mas a observação mais acurada nos ensina que tal recuperação nunca é perfeita; sempre fica uma cicatriz, uma fraqueza ou uma lembrança.[…]”

Anúncios
Padrão

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s