Poeminhas

Cidade


Primeiro pare com isso!

Pare! Agora!

Eu não quero nada disso
que você chama de belo,
dane-se isso! Dane-se!

Não faça nada disso.

Não seja nada disso.

Quero tudo o que me envolve,
apenas.

seja a lata de coca desbotada
na grama, seja a espuma
marrom que fazem os carros
na lama.

Seja o fedor da esquina.

Seja o catarro a secar
na calçada.

Qualquer coisa desse tipo.

E que seus cantos sejam
tudo.

Sejam sujos!

Transforme-se no meio-fio
gnaisse azul, sem graça.

Ou na parede do florista
imundo, cheia de samambaias.

Desgraça.

O clima de homicídio
de todas as manhãs.

Que sua pele seja pavimento
e que se encha de cancros,
buracos na estrada, no acostamento.

Seus olhos
Que sejam cegos!

Pardais comendo lixo
levando o passado embora
levando os piores momentos.

Seja os ratos!
Seja os pombos!

Seja estátua, mendigos.

Seja assombro.

E as ruas alagadas.

Ei, não permeie tudo isso
com flores! A não ser as papoulas,
as margaridas rotas, os lírios
nos canteiros dos prédios.

O grafite se apagando.
E a puta que pariu
dos versos.

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