Papo furado

Pra descansar a vista


Quem por acaso cair neste bloguinho, tão cheio de coisas produzidas por mim, talvez cansado com o tipo de literatura aqui exposta, mereça um alento para a mente e ler um belo soneto de um poeta que estou aprendendo a admirar em minhas perdidas leituras. O soneto se chama “Vidência”, do excelente poeta e compositor Paulo Cesar Pinheiro:

Eu vi uma velha, um velho e vi um menino.
E sobre as mãos e o colo da anciã
Eu vi a renda, a agulha, o bilro e a lã
Com que tecia as malhas do Destino.

Eu vi uma velha, e vi um menino e um velho.
E o quase cego olhar desse ancião
Tentava achar em nosso coração
Vestígio ao menos de seu Evangelho.

Eu vi um menino, um velho e vi uma velha.
E esse menino me arrastava a ela.
E a luz do velho se fechava em breus.

Chama-se Tempo esse menino forte.
E a costureira, pois, chama-se Morte.
E o velho cego, então, chama-se Deus.

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