Contos

Expurgo intimista III – Da fé falha


A respiração me falta. Lauro corre, tenta passar pela direita, mas dessa vez não. Quebro no meio, foi quase todo na bola, só trisquei a canela, mas ele cai; mão no rosto.

Gritaria na arquibancada.

– Não vou admitir! Não vou admitir!, levanta o cartão amarelo, eu só abro os braços.

O time deles vem pra cima, falam merda, eu faço ouvido de mercador ainda abrindo os braços.

Vou pro meio da barreira em formação, os companheiros falando que era pra fazer isso mesmo, mas eu tava amarelado, não podia quebrar de novo.

Pulo.

E o desgraçado acerta no ângulo.

Gritaria na arquibancada

48 do segundo tempo.

Gritaria na arquibancada.

Caminho. A respiração me falta. As tropas se reposicionando. A inveja me toma, alegria alheia sempre me mata.

E nem dá tempo de se recompor, maldito apito final.

Euforia.

Joguei mal, com certeza, e a inveja me toma, não sei se é raiva, mas a derrota sempre se traduz em lágrimas.

Dessa vez não tem oração.

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