chegou o dia, enfim, em que o terror não mais me encheria os olhos e o sangue nada mais seria que um liquido com cheiro acre que cinquenta por cento mais um de mim seria bucolismo e que eu olharia para trás e me colocaria um monte de defeitos gritantes. adeus, nem mesmo essa palavra me inspira nada, nem mesmo aquelas outras como amor, solidão e vingança, está tão difícil pra mim odiar quanto sempre foi amar. mas pra se amar tem que se passar pelo gostar e esse caminho eu cortei então é isso, afinal. o álcool e os cigarros, seja de que espécie sejam, não significam mais nada. a música é só um amontoado de ruídos. estou me afundando num cretinismo southparkiano. chegou o dia em que escrever 'sussuros' num poema não significa nada mais que um vocábulo. encabular-se não é mais via de regra diante dos fatos. mentir compulsivamente não é mais automático. chegou o dia peço perdão a deus e a quem ofendi com minhas atitudes. começa a embaçar-me a vista e enrolar-me a lingua. não posso mais declamar o que não tenho. minha mente se fechou para a beleza meu cérebro não mais é surpreendido. tudo se tornou clichê e um pouco triste. não uma tristeza doída, obviamente. enfim, amigo, observei-lhe a face. estava aí o tempo todo, rindo amarelo, não é amor nem sentimento, mas vamos dar as mãos. quem sabe assim você, tédio, possa me mostrar um mundo novo.
0