Sou um soldado
o Braço Armado do Estado
Sou um soldado
Quanto menos sei, mais condecorado
Sou um soldado
Armado, cego, despreparado
Sou um soldado
Não questiono, pau mandado
Sou um soldado
Cego, surdo e sanguinário
Sou um soldado
Maniqueísta robotizado
Sou um soldado
Sou leal, bravo, sou gado
Sou um soldado
Marionete do poder, alienado
Sou um soldado
O Braço Armado do Estado
Não questiono o certo/errado
Sou apenas
Um soldado
Não sei se todos os leitores sabem, mas sou ateu. Contudo, não consigo negar a força poética destes versos:
Ave Maria
Gratia plena
Dominus tecum
Benedicta tu
In mulieribus
Et benedictus
Fructus Ventris tui, Jesu
Sancta Maria,
Mater Dei,
Ora pro nobis peccatoribus
Nunc et in hora mortis nostrae
Amen
Você que é cristão, mesmo não sendo católico, pense nestes versos quando estiver com sua família celebrando o natal.
Não que tenha um valor mais que poético para mim, mas tudo onde há beleza é bom de se ver e refletir.
chegou o dia, enfim, em que o terror não mais me encheria os olhos e o sangue nada mais seria que um liquido com cheiro acre que cinquenta por cento mais um de mim seria bucolismo e que eu olharia para trás e me colocaria um monte de defeitos gritantes. adeus, nem mesmo essa palavra me inspira nada, nem mesmo aquelas outras como amor, solidão e vingança, está tão difícil pra mim odiar quanto sempre foi amar. mas pra se amar tem que se passar pelo gostar e esse caminho eu cortei então é isso, afinal. o álcool e os cigarros, seja de que espécie sejam, não significam mais nada. a música é só um amontoado de ruídos. estou me afundando num cretinismo southparkiano. chegou o dia em que escrever 'sussuros' num poema não significa nada mais que um vocábulo. encabular-se não é mais via de regra diante dos fatos. mentir compulsivamente não é mais automático. chegou o dia peço perdão a deus e a quem ofendi com minhas atitudes. começa a embaçar-me a vista e enrolar-me a lingua. não posso mais declamar o que não tenho. minha mente se fechou para a beleza meu cérebro não mais é surpreendido. tudo se tornou clichê e um pouco triste. não uma tristeza doída, obviamente. enfim, amigo, observei-lhe a face. estava aí o tempo todo, rindo amarelo, não é amor nem sentimento, mas vamos dar as mãos. quem sabe assim você, tédio, possa me mostrar um mundo novo.
Está na moda ser idiota
tá na moda falar de amor
e pagar de gostoso
está na moda ser cretino
dizer que não está nem aí
tá na moda falar errado
marrom
bado
na moda tá ser mal falado
fazer samba e ser vi
ter medo de ser feliz
ou ser feliz demais por medo
tá na moda contradizer
e ser
saber pra quê?
se tudo é relativo
tá na moda ser cativo
da preguiça
ter justiça presa entre os dentes
que nem fiapo de manga
voci fe rar
no tribunal
nos termos da lei
tá na moda 10%
na moda 20%
indecoro parlamentar
tá na moda ser voz
vazia
tá na moda letra de música
travesti de poesia
tá na moda ter um fraco
ser palhaço
arrogante
intelecdiletante
tá moda se fechar
num casulo
e virar uma borboleta do avesso
cheia de lugares comuns
politicamente incorretos
e hoje em dia
s’il vous plaît
qualquer merda é poe
Saí da taverna com os pés escorregando no vinho. Dez marujos vinham de punhal em mãos, aos meus calcanhares. Transformei-me em nuvem depois em gato então eles estremeceram diante do meu sorriso. Não podia fazer nada contra eles, bem visto, porém este tipo de coisa sempre mantinha distantes os perseguidores.
Minha mãe era uma bruxa e meu pai, dizia ela, belzebu. Não tenho cara de hebreu, mas mamãe era negra, azul e cinza, nas partes corretas. Lembro de suas íris e seu olhar de gata cega enquanto me amamentava.
Mas isso é de um tempo triste e distante, em outras terras. Agora, sangro. Lá, entre os dez, tem um com meu olho esquerdo espetado na lâmina sangrenta. Dor não sinto, não é isso. É ser ferido. Eu. Logo eu.
Não tenho Holandês Voador nem Triângulo das Bermudas, mas a cor da minha barba é conhecida em todos os mares.
Caminho ainda etéreo para minha nau, uso a órbita vazia como bainha pra minha adaga de rubis. No convés acendo meu cachimbo e plano com o espírito de todas as gaivotas mortas seguindo o cheiro das cascas de ovos rompidas pelos atobás.
pequeno amor
que guardo
brigitte bardot
prometo não falar de morte
prometo apenas
eu prometo
veja minha linda
brigitte bardot
só minha
possessivamente
bardot
o meu coração obsceno
chorar por teu sorriso
a ti que nunca ouviu falar
de ti
brigitte bardot
minha só minha
violentafrescalhadamente
meu pequeno amor
desconfie
quando te negar
qualquer coisa
é mentira
posso te oferecer o que quiser
pois dar não é possível
nesse mundo
minha bardot bardot
pequeno amor
que nunca ouviu falar de ti
os teus cabelos pretos
olhos castanhos
que nunca viram
aquele filme do Roger Vadim
em que você aparecia
e onde me apaixonei por você
pela primeira vez
bardot bri
gi tte pequeno amor
porsuavozvontade
corto os pulsos
e sangro
entenda
sou drástico confuso insano
te amo
Rola a maior inversão de valores desses beats nacionais ouvindo blues e queimando erva achando dos anos 30 até 1989 o supra sumo do século XX aliás até mais tarde até a morte do bukowski, digamos. esses beats nacionais querem odiar demais beber uísque demais e ser boçais demais esses beats nacionais querem morar em são paulo eles têm são paulo dentro do coração nada contra são paulo diga-se de passagem esses beats nacionais infestam tudo onde observo que eu leio, até o que escrevo argh! há uma parede cheia de beats nacionais no meu quarto e meu inseticida só funciona porcamente com as baratas cadê meu pau, skylab! eu quero uma metralhadora, estilo maio de 68 AQUI E AGORA vamos tomar cachaça nos cabarés recife é san martin e ibura de baixo marco zero é o meu ovo morte ao CAC e afins da UFAM à UFRGS morte aos playbas cheirando a sarjeta errada e morte estrebuchante ao rolo contínuo do kerouac esses beats nacionais têm de aprender a amar de novo amar com o seio e os testículos os beats nacionais estão achando que sertão é los angeles que deserto é semi-árido que rap é funk carioca que vinil é mp3 morte aos remanescentes beats do cenário nacional uma placa colorida com o símbolo da paz pintado com sangue e merda cada um no seu espaço: nos cemitérios newton carneiro deu a solução para quando a metralhadora chegar mais e mais cemitérios construídos de recife a jaboatão derrubando-se favelas inteiras para que ocupem seu lugar os beats nacionais estão presos numa cueca fedorenta do ginsberg vamos queimá-los com um reggae dos karetas o último poeta brasileiro é o Mao que diz ainda que o mundo não para de girar e vomitar no trem é a solução choque elétrico na uretra dos beats nacionais morte bíblica com coçadinha de caco de telha nas chagas deles vamos jogá-los pela janela do metrô ou esmagá-los numa máquina de charles chaplin moenda de cana com barbeiro na hora do lanche dos beats nacionais o coração inchado de incertezas e wannabes L.A. The Doors e Harrison com o cu do demônio mais vermelho do inferno! Waldick Soriano, ó mestre mostre a essas estrelas das cafeterias o que é sofrer de verdade ser pobre e analfabeto ter tudo e perder tudo dançar colado na mulher mais linda do puteiro e sofrer nos decotes da Mãe-Pátria preciso ver tv preciso ver o ratinho onde está o alborghetti? pílulas de sabedoria de joslei cardinot o charme pedófilo de denny oliveira a rádio recife e as traduções simultâneas vocês beats nacionais sabem o que é isso então olhem pro próprio umbigo ou pro dente cinzento do primeiro mendigo que virem e vão sonhar de novo, pra dentro, porra!
Tão bom seria menos uns 4 bilhões de pessoas no mundo mais vagas de emprego menos gente apinhando as ruas menos poluição mais campos verdejantes e florestas idem mais espaço pras criancinhas brincarem menos engarrafamentos e corações amargurados menos gente cada vez menos gente sem tanta gente na china sem tanta gente na índia menos gente acreditando em deus e rezando menos ateus menos poetas nesse mundo que maravilha menos livros pra se ler menos avanços científicos e menos tempo na internet sem tanta gente pra se conhecer o mundo com 2 bilhões espalhados nesse mundo dispersos bem dispersos seria tudo tão lindo tão maravilhoso que até me dispunha a ir junto com os os outros 4 bilhões pro limbo só pra saber que isso o mundo ideal aquela tal paz mundial acontecendo de uma vez aposto que jesus voltava de mãos dadas com o profeta (allahu akbar) e buda iluminando o caminho com seu autoconhecimento que bom seria que bom seria meu deus senhor cadê senhor a bomba de neutrons quando se precisa?
Um dia verei brilhar o sol enquanto me sonham as pupilas numa viagem de ácido milnovecentosesessentística com gosto de mel de abelhas apocalypse now e os mutantes buracos de verme e orgulho negro o brasil ainda comemorando o méson pi de cesar lattes e os ultimos gols de pelé eu de camisa colorida e calças jeans gastas vasculhando a bosta de uma vaca atrás do barato mais barato deixando fita k7 em banho maria desde que seja do the doors boiando na pia e dentro dela a via láctea e todas as estrelas da era de aquário e o inferno do novo papa mas estou aqui em outra onda noutro tempo noutra vi-bra-ção só
o homem que vou matar senta do meu lado no ônibus eu estava no fundo e percebi: ele era estranho o homem que eu vou matar se aproximava demais meu canivete na mochila abri-o e o segurei dentro da bolsa enquanto lia on the road e carlo marx esperava dean e sal paradise em nova york enquanto eu espreitava no canto do olho qualquer movimento do homem que vou matar uma única desculpa pra cortar sua glote vê-lo gorgolejar seu sangue espirrar no meu livro deixar minhas roupas e o chão avermelhados e eu saboreando aquelas duas palavras mágicas: legítima defesa legítima defesa legítima defesa overkill? desespero eu seria assaltado arma branca? preciso pra minhas aulas riscar rochas e etc desculpa perfeita mas o homem que vou matar não se mexe mais que alguns centímetros para lá e para cá ódio mortal do homem que vou matar seguro o cabo da faca e espero qualquer movimento brusco tiro a mão de dentro da mochila num relâmpago e menos um pescoço inteiro no mundo mas o homem que vou matar se levanta calmamente pede parada vai embora e mais uma vez as circunstâncias vencem minha sede de sangue merda